Gestão DocumentalGestão documental e workflowsDesmaterialização e redução de papel

Desmaterialização de faturas: quando pode o papel deixar de ser o arquivo principal?

O que muda entre digitalizar para trabalhar melhor e criar um arquivo eletrónico que permita eliminar os originais em papel.

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Publicado em 10 de julho de 2026
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8 min

Digitalizar uma fatura permite que a informação circule mais depressa, que as aprovações deixem de depender da passagem física do papel e que as equipas consultem o documento a partir de diferentes locais.

Mas existe uma pergunta que surge frequentemente quando uma empresa começa a desmaterializar os seus processos:

“Depois de digitalizar a fatura, podemos destruir o original em papel?”

A resposta não depende apenas de o documento ter sido convertido para PDF.

Depende do papel que o ficheiro digital passa a desempenhar, dos controlos existentes no sistema, da forma como o arquivo é organizado e das obrigações aplicáveis à organização.

Digitalizar não é o mesmo que substituir o original

Uma imagem digitalizada pode ser extremamente útil no trabalho diário.

Pode permitir:

  • encaminhar a fatura para validação;
  • identificar o centro de custo;
  • obter aprovações;
  • associar comentários;
  • acompanhar prazos;
  • integrar informação com a contabilidade;
  • consultar o documento sem procurar uma pasta física.

Nada disso significa, por si só, que o original em papel possa ser eliminado.

Quando o papel continua a ser conservado como arquivo principal, o documento digital pode funcionar sobretudo como suporte da operação.

Quando a organização pretende destruir o original e passar a depender do arquivo eletrónico, o nível de exigência aumenta.

Cenário 1

Digital para trabalhar; papel para conservar.

Cenário 1 — O digital apoia a operação, mas o papel continua arquivado

Este é um ponto de partida frequente.

A empresa recebe uma fatura em papel, digitaliza-a e regista-a numa plataforma de gestão documental.

A partir daí, a cópia digital é utilizada para:

  • classificar o documento;
  • encaminhá-lo para os responsáveis;
  • validar valores;
  • registar aprovações;
  • controlar pendências;
  • preparar a integração com o sistema contabilístico;
  • consultar o histórico do processo.

O original continua, no entanto, a ser conservado no arquivo físico durante o prazo aplicável.

Neste cenário, a principal finalidade da digitalização é melhorar a operação.

A empresa reduz a circulação interna de papel, diminui o risco de extravio durante a aprovação e ganha visibilidade sobre o estado de cada fatura.

O valor não está apenas no PDF.

Está na ligação entre o documento, a informação, o workflow, os responsáveis e o histórico das decisões.

Cenário 2

Digital para trabalhar e conservar.

Cenário 2 — O arquivo eletrónico pretende substituir o arquivo físico

O segundo cenário é diferente.

Aqui, a intenção não é apenas trabalhar sobre uma cópia digital.

A organização pretende que o arquivo eletrónico passe a suportar a conservação dos documentos e que os originais em papel possam deixar de ser mantidos.

O Decreto-Lei n.º 28/2019 prevê a possibilidade de digitalização e arquivo eletrónico dos documentos originalmente emitidos ou recebidos em papel.

No entanto, a destruição dos originais não deve ser tratada como consequência automática da digitalização.

Antes dessa decisão, devem estar assegurados os requisitos aplicáveis à qualidade da digitalização, à integridade, à exatidão e à fiabilidade do arquivo.

Nos documentos relativos a aquisições de bens e serviços, devem também ser consideradas as condições fiscais e contabilísticas especificamente aplicáveis.

Isto significa que o projeto deixa de ser apenas uma iniciativa de digitalização.

Passa a envolver:

  • o processo de receção;
  • a qualidade da captura;
  • a classificação;
  • os metadados;
  • os acessos;
  • os controlos de alteração;
  • o histórico;
  • a conservação;
  • a recuperação;
  • a relação com a contabilidade;
  • a capacidade de apresentar e reproduzir os documentos quando necessário.

O que deve estar assegurado no arquivo eletrónico

A legislação não deve ser convertida numa lista simplista de três tecnologias obrigatórias.

O que importa é que o conjunto do processo e do sistema consiga assegurar os resultados exigidos.

1. Qualidade e legibilidade da digitalização

O documento digitalizado deve representar integralmente o original.

A imagem deve permitir consultar e compreender toda a informação relevante, sem cortes, omissões ou perda que comprometa a leitura.

A organização deve definir controlos para situações como:

  • páginas em falta;
  • documentos digitalizados ao contrário;
  • resolução insuficiente;
  • zonas ilegíveis;
  • anexos não capturados;
  • associação da imagem ao registo errado.

2. Integridade, exatidão e fiabilidade

O arquivo deve possuir mecanismos que permitam prevenir ou detetar alterações, destruição ou deterioração indevida dos registos.

Esses mecanismos podem envolver diferentes controlos técnicos e funcionais, consoante a arquitetura adotada.

A questão não é apenas saber se o ficheiro existe.

É conseguir demonstrar que o documento conservado continua íntegro, que está associado ao registo correto e que o seu histórico é compreensível.

3. Acessibilidade e recuperação

Um arquivo eletrónico deve permitir localizar, consultar e reproduzir os documentos durante todo o período em que devam ser conservados.

Guardar milhares de PDFs numa pasta não garante, por si só, um arquivo controlado.

É necessário pensar em:

  • critérios de pesquisa;
  • metadados;
  • identificação do fornecedor;
  • número e data da fatura;
  • empresa;
  • estado;
  • centro de custo;
  • relação com o registo contabilístico;
  • exportação;
  • cópias de segurança;
  • recuperação em caso de incidente.

4. Controlos de gestão documentados

Os controlos utilizados para assegurar a autenticidade, a integridade e a legibilidade não devem existir apenas de forma informal.

Devem estar documentados, atualizados e ser compreendidos pelas pessoas responsáveis pelo processo.

Isso inclui saber:

  • quem recebe;
  • quem digitaliza;
  • quem valida;
  • quem pode alterar metadados;
  • quem aprova;
  • como são tratadas exceções;
  • como se controla o arquivo;
  • como se recupera informação;
  • como se responde a um pedido de consulta.

5. Relação com a contabilidade e com os restantes sistemas

Uma fatura não existe isoladamente.

Está relacionada com:

  • um fornecedor;
  • uma empresa;
  • uma compra;
  • uma aprovação;
  • um lançamento;
  • um pagamento;
  • um período contabilístico;
  • outros documentos de suporte.

Quanto mais separadas estiverem estas informações, mais difícil se torna demonstrar a coerência do processo.

A integração não precisa de significar substituir todos os sistemas.

Pode significar criar relações fiáveis entre o arquivo documental, o workflow e o ERP ou sistema contabilístico.

O que não deve ser confundido

O PDF é um formato de ficheiro.

O arquivo eletrónico é um sistema composto por documentos, informação, processos, responsabilidades, controlos e mecanismos de conservação e recuperação.

A questão não é apenas tecnológica

Uma organização pode adquirir uma plataforma com funcionalidades avançadas e continuar a ter um processo frágil.

Isso acontece quando:

  • não está definido quem valida a digitalização;
  • os metadados são incompletos;
  • os documentos são associados à empresa errada;
  • as exceções circulam por email;
  • o ERP e o arquivo não estão relacionados;
  • existem acessos excessivos;
  • ninguém revê os controlos;
  • as equipas não conhecem o novo processo.

Desmaterializar não consiste apenas em trocar papel por ficheiros.

Consiste em redesenhar a forma como os documentos entram, circulam, são tratados, suportam decisões e permanecem acessíveis.

É aqui que processos, informação, documentos, workflows, sistemas e pessoas precisam de funcionar como uma operação conectada.

Checklist antes de considerar a eliminação dos originais

Documento e captura

  • Que tipos de documentos estão abrangidos?
  • Qual era o suporte original de cada documento?
  • Quem executa e valida a digitalização?
  • Como é controlada a qualidade da imagem?

Metadados e acessos

  • Que metadados são obrigatórios?
  • Quem pode consultar, classificar ou alterar informação?

Integridade e histórico

  • Como são prevenidas ou detetadas alterações indevidas?
  • Como fica registado o histórico?
  • Como são tratadas exceções?

Contabilidade e sistemas

  • Como se relaciona o documento com a contabilidade?
  • Existem operações asseguradas por terceiros?

Conservação e validação

  • Como são feitas as cópias de segurança?
  • Como são recuperados documentos em caso de incidente?
  • Como se garante a consulta durante todo o prazo aplicável?
  • A decisão foi validada pelas áreas fiscal, contabilística ou jurídica competentes?

Se estas respostas ainda não estiverem claras, a organização provavelmente ainda não está perante uma simples decisão de “deitar o papel fora”.

Está perante um projeto de desenho e governação do arquivo eletrónico.

Como a CHABAS pode apoiar

A CHABAS ajuda as organizações a transformar documentos e processos dispersos em operações digitais mais integradas, rastreáveis e controladas.

Num projeto de desmaterialização de faturas, podemos apoiar em áreas como:

  • levantamento do processo atual;
  • identificação de intervenientes e responsabilidades;
  • desenho do processo futuro;
  • definição dos pontos de captura e validação;
  • classificação documental e metadados;
  • workflows de validação e aprovação;
  • regras de acesso e rastreabilidade;
  • tratamento de exceções;
  • integração com ERP ou sistemas contabilísticos;
  • implementação da plataforma documental;
  • formação e adoção pelas equipas.

A CHABAS não substitui a validação jurídica, fiscal ou contabilística da organização.

O nosso papel é ajudar a transformar os requisitos e as necessidades operacionais num processo digital coerente e numa solução tecnológica adequada.

Menos papel deve significar mais controlo

A possibilidade de reduzir ou eliminar o arquivo físico pode trazer benefícios relevantes:

  • menos espaço ocupado;
  • menor circulação de papel;
  • pesquisa mais rápida;
  • acesso controlado;
  • maior visibilidade sobre o processo;
  • melhor ligação entre documento, decisão e registo.

Mas o objetivo não deve ser apenas destruir papel.

Deve ser criar um arquivo e um processo mais claros, acessíveis, rastreáveis e sustentáveis ao longo do tempo.

A pergunta correta deixa, por isso, de ser apenas:

“Podemos deitar esta fatura fora?”

E passa a ser:

“Temos um processo e um arquivo eletrónico suficientemente estruturados para deixar de depender deste papel?”

Está a avaliar a desmaterialização dos seus processos documentais?

A CHABAS pode ajudar a analisar o processo atual, identificar os controlos necessários e desenhar uma solução de gestão documental e workflows adaptada à operação da sua empresa.

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Fontes